FUNARTE EM BH OCUPADA
Artistas se unem contra o golpe e
engrossam ocupações na capital mineira.
Contra Michel Temer, artistas ocupam sede da Funarte em BH
"Funarte é pouco". Movimento decide ocupar mas
garante que a luta vai circular por toda a cidade. O grito é o mesmo que já
ecoa por outras ocupações pelo Brasil: resistir, ocupar!
Decidir por uma ocupação sempre é difícil, afinal envolve
riscos, responsabilidades, e muita organização. Em Assembleia, diversos
artistas, negros, LGBTs, militantes de vários movimentos e de vários segmentos
decidiram arriscar pela luta e resistência contra o governo ilegítimo de Temer
e ocupar a Fundação Nacional de Artes na capital mineira a partir de hoje.
Foram algumas horas de debate sobre ocupar ou não, e a
assembleia, que teve início por volta das cinco da tarde, terminou às oito.
Alguém da ocupação Tina Martins, que luta pela construção de
casa abrigo para mulheres que sofrem violência e resiste desde o dia 8 de março
em um prédio da UFMG abandonado há vários anos, disse que a nova Ocupação tem
todo o apoio da Tina. A militante que disponibilizou ajuda foi a mesma que
havia dito mais cedo que, mesmo que o governo interino Temer volte a instituir
o Ministério da Cultura ou das Mulheres, o movimento não deve parar, pois esse
é um governo ilegítimo. Ela foi aplaudida.
Outra militante, artista do Vale do Mucuri que vive em Belo
Horizonte e atualmente integra a Frente Brasil Popular, afirmou que o golpe é
também racista e construído pelo imperialismo, e lembrou que os artistas foram
uns dos primeiros a serem perseguidos durante a ditadura militar, porque a
‘arte é perigosa e eles devem temer’.
Outro manifestante, em uma bela fala, disse que o movimento
deve ouvir a periferia, pois é onde a cultura é forte e ‘tem-se muito o que
aprender com eles’. Mais aplausos. Outras pessoas também lembraram a
necessidade e urgência de se juntar mais à periferia, não os esquecendo nunca.
Um artista chamou para um espetáculo que se iniciaria
ali na fundação, e sugeriu que a ocupação começasse lá, no Galpão 1. Mas apesar
de a arte ser necessária sempre, naquela hora a discussão tinha que continuar,
afinal as pessoas queriam terminar a assembleia que decidiria os rumos do movimento.
Depois de desabafos, sugestões, críticas, muitas
contribuições e alguns embates sobre a força que teria uma ocupação ali,
decidiu- se por sim: ocupar mais aquele espaço! Afinal é onde artistas e
amantes da arte adoram estar, então por que não fazer dele um local de
resistência, nesse período obscuro da nossa politica, em que ela, justamente a
arte, ‘que liberta’, pode estar ameaçada com os planos do governo de Temer?
Quando se pediu a manifestação de pessoas que poderiam ficar
já esta noite, algumas se disponibilizaram. Tinha que ser pelo menos 20. Fez-as
contas e o número passou disso. Estava inaugurada a Ocupação da Funarte, sem
data para acabar, claro. A organização começou logo em seguida, com divisão de
tarefas, criação de grupos de trabalho e planejamento para os dias de luta que
virão.
por Aline Frazão15 maio, 2016



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